6 de mai. de 2008

"O meticuloso exercício da escrita pode ser a nossa salvação."


Essa frase foi dita por Isabel Allende em seu livro Paula. Eu vou mais além disso: o exercício de ler tais escritas nos ajuda no processo de perdição. Perdição porque o conhecimento é um caminho sem volta. Perdição porque a leitura nos leva longe para lugares que a vida real não nos proporciona e corremos o sério risco de não querer voltar. Pelo menos pra mim para cada livro que leio construo um laço com as personagens, dedico para elas horas e dias, são parte de mim naquele momento. Construo o cenário, choro com os dramas, mas também dou gargalhadas com as comédias.

Não sou uma simples leitora. NÃO! Sou uma personagem coadjuvante, aquela que fica olhando de fora e se deliciando a todo instante com as situações narradas. Sim, é uma perdição. Às vezes me entrego de tal maneira aquele mundo que passo horas pensando sobre o que li, aliás sobre o que vivi, melhor dito. Ainda lembro das lágrimas que me cairam lendo o romance de Isabel Allende [adoro essa mulher rs] De amor y de Sombra. Me emocionei como se fosse aquela personagem tocada diante do amor e diante do caos que vivia seu país. Me perdi horas pensando como seria ter vivido tamanha situação. E dei graças a Deus por viver numa época mais livre. Me perco dessa vida a cada frase sábia que esses escritores audaciosos se propõem a escrever e pior ainda, publicar para pessoas como eu, sensíveis a uma literatura.

Que imaginação é essa que flutua nessas mentes que como um passe de mágica entra em nossa alma, ao ponto de nos fazer ver a vida diferente, nos perdendo daquilo que antes pensávamos? Agora já pensamos distintamente porque o vírus da escrita nos foi injetado. É uma perdição, porque agora quero ler mais e como uma doença letal esse vírus vai mexendo em meu esqueleto, porque já não me sento mais como uma dama e sim como uma piveta com as pernas esticadas em outra cadeira e a coluna torta pois já estou devorando o livro e aquele mundo de tal maneira que minhas boas maneiras de se sentar já foram para o espaço, aquele espaço do livro, aquele que só existe no exato momento que me vejo lendo.


Como posso me conter diante de um Alexandre Dumas que proclama aos sete ventos para os mosqueteiros que "de certo há um Deus para os bêbados e para os amantes"? Definitivamente estou perdida. Minha inocência deu lugar a cognição e de repente me vejo conhecendo outros países, outras culturas, lendo em outro idioma, íntima daquelas pessoas do livro que nunca vi, mas conheço a todas.

Meu mundo já está habitado por outros mundos. Pela leitura conheci os Andes, conheci a Idade Média, travei lutas com bárbaros e ajudei a resolver inúmeros mistérios. Realmente a escrita é o caminho da salvação dos escritores e para minha alegria, eu amo me sentir perdida nesses desencontros de minha alma e encontro de minha imaginação.

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