31 de ago. de 2008

São Paulo...a cidade dos contrastes

É certo que todas as cidades possuem suas contradições, limites, belezas e diferenças. Contudo, desde que cheguei em São Paulo posso entender o porquê dessa cidade ser notícia constante nos jornais de todo país. Antes de chegar em Sampa, o vôo tinha sido super tranquilo mesmo tendo passado por duas escalas e tantos sobes e desces de avião. Faltava aproximadamente uns 30 minutos para chegar em Guarulhos quando o piloto avisou que o aeroporto tinha sido fechado por causa de uma forte neblina. Dá pra imaginar minha agonia? No ar girando sem poder descer, já comecei a imaginar uma queda fabulosa. Com minhas fortes tendências a tragédia grega fiquei me preparando caso minha morte fosse lenta e dolorida. É isso mesmo que você está pensando: QUE EXAGERO!!! Mas fazer o que? Sou sagitariana e exagerar é tão inato em mim quanto o comer e beber! Eu pensava que raios de neblina forte era essa porque eu nunca tinha visto uma neblina capaz de apagar tudo daquele jeito. Pior que existia mesmo e ainda existe nessa cidade e suas aglomerações.

O avião desceu tão ruim q senti a pancada mais forte. Mas tudo bem, finalmente pude trocar minha tragédia por uma comédia pastelão devido ao estado ridículo que acometeu meu cérebro durante aqueles minutos, quase hora, no ar. Tinha saído de Fortaleza com uns 27 graus e cheguei em São Paulo com neblina, muito vento gelado, garoa e 13 graus de muito frio. Foi duro me adaptar a tanto frio nesses primeiros dias, pois todo meu corpo sofreu com a lentidão fisiológica imposta pelo inverno.

Essa foi a primeira sensação que tive ao chegar em São Paulo nesse ano. Antes eu tinha vindo, mas agora posso me dar ao luxo de observar a cidade e refletir sobre ela.

Aqui nem tudo que vai volta. Essa lei se aplica muito bem no caso de São Paulo. Os caminhos que levam nem sempre trazem e trate muito bem de acertar o caminho porque errar no trânsito aqui custa muito CARO! Tempo, combustível, muita caminhada. Então, andar com mapinha é ultra super necessário. O clima é outra coisa de contraste grotesco. Na mesma semana tem calor, garoa, frio, vento gelado, ar seco, umidade baixa, boa umidade, tempo agradável...Isso quando não ocorre num mesmo dia. A gente acorda e tá um sol lindo, sai com roupa leve e no final da tarde começa a esfriar muito e voltamos com vento gelado no rosto. Claro que no inverno isso se acentua mais. As ruas nem sempre são retas e um quarteirão é quase um círculo beirando o quadrado e às vezes um triângulo. Agora entendo porque tem tantos acidentes. É muito estranho dirigir em tanta ladeira, ruas tortas, retornos distantes e curvas estreitas. É quase uma aventura de Indiana Jones dirigir nessa cidade. Sem contar as residências. Muitas, antigas lembrando o início das cidades e outros imóveis modernos nos remetendo a cidade dos Jetsons.

Não tenho a pretenção de falar sobre tudo que vejo por aqui, mas é incrível viver nessa cidade. É preciso vontade pra caminhar muito em ruas tão desproporcionais, saber lidar com gente de todo lugar, ter boa resistência física pra suportar tanta mudança de clima e umidade em tão pouco tempo. Mas acima de tudo, ter muito bom humor pra não se estressar com tantos imprevistos quase cotidianos dessa cidade, uma mistura de Gotham City e Brasil anos 20. Eu me apaixonei. Aqui não tem como ficar entediada porque tem sempre algo novo acontecendo. A cidade tá gestando sempre novidades, o mundo todo cabe em São Paulo.

19 de ago. de 2008

É preciso ousar

A Cada dia 19 relembro aqueles instantes dentro do avião a caminho da minha nova vida. Mesmo diante da saudade, do choro e de algumas coisas que não saíram como planejei, sei que valeu a pena cada instante que afirmei minha decisão de ousar. Muitas pessoas acham que a vida certa é aquela segura, mas esquecem que a vida certa é aquela que te faz feliz independente se agimos dentro das razões de uns e outros, mas afinal, todos têm sua razão. Quem pode dizer o que certo ou errado? O que é racional ou não?

Quem ousa também sente medo, se sente inseguro, sente saudade, chora, fica deprimido, mas acima de tudo, quem ousa tem a certeza de que todos esses sentimentos fazem parte do curso natural do viver e o desejo de alcançar vôos mais altos sempre será maior.

Existe momentos em que a vida vai nos pedir ousadia porque nenhuma maturidade é atingida sem enfrentar desafios e, se fugimos deles nunca atingiremos o passo seguinte do "viver". Os momentos ruins sempre vão se repetir e repetir ficando com aquela sensação de que a vida está estagnada porque é preciso seguir em frente e para isso temos que fazer um acordo com o "Louco" da nossa vida e com uma mochila nas costas ousar em caminhos ainda não explorados da nossa jornada.

Isso aconteceu comigo! Mesmo com tantas coisas a deixar para trás segui o chamado do meu "louco" interior e fui em busca do caminho planejado por mim em meus planos inconsciente. Não me julgo corajosa, mas me aprecio por não ter o dom da paralisia existencial e por ser antes de tudo, uma autêntica inconformista com as repetições da vida. Viver pra mim é algo muito sério. Por isso alguns de vocês sempre irão me ver fazendo algo pra tornar minha jornada um caminho para o SOL! Porque minha cabeça geralmente gravita acima das estrelas...

Eis um trecho para refletir:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

(Fernando Pessoa)

10 de ago. de 2008

Essência do Sábio

"Aquele que conhece os outros é sábio.Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva seu caminho tem vontade.
Seja iluminado, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.
O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notadoEle não se elogia, e por isso tem mérito.
E, por não estar competindo, ninguém no mundo pode competir com ele.
A essência do sábio é como a água.
Por assim ser, se nivela por baixo, penetra em todos os lugares e nada força, mas tudo alcança.
E não será atingido, não agride o agressor, mas todo agressor se molha."
(Autor desconhecido)

8 de ago. de 2008

Provérbio Chinês

O ontem é História.
O amanhã é Mistério.
O hoje é uma Dádiva, por isso se chama presente!

08/08/08

Hoje é a dádiva da sorte, da prosperidade, da justiça.
Conexão com o Universo para uma melhor evolução.

Namastê*

3 de ago. de 2008

To say or not to say?

Dizer ou não um palavrão...eis a questão!
Em minhas mais recentes observações antropológicas a respeito do comportamento "animal humano" pude perceber que dizer um palavrão em público pode gerar certas alterações de humor, gerando um movimento nos músculos faciais provocando o assim chamado: RISO... ou de contentamento ou de reprovação conforme a intensidade do palavrão ou até mesmo a expressão do indivíduo durante o dizer. Entretanto, a questão norteadora dessa observação é: Qual a necessidade do palavrão em nossa sociedade?

Utilizei o método da observação participante para compreender o fenômeno da palavra maldita e em breves tópicos resumirei algumas de minhas verificações em meu diário de campo.

1) Foi observado que se um indivíduo do sexo masculino diz um palavrão no momento de um jogo ou momento de grande tensão esse indivíduo está liberando suas emoções mais rústicas naquele momento. Porém, esse mesmo indivíduo se contém em ocasiões não apropriadas, gerando assim uma retenção de xingamentos despejando em seguida em sua família, mulher, futebol ou partida de algum jogo.

2) Foi observado que se um indivíduo do sexo feminimo diz um palavrão em momentos semelhantes essa indivídua tem a boca suja, é vulgar e acarreta para si as consequências por estar indo contra as regras da moral. Esta deve conter sempre sua ânsia de dizer um palavrão e expressar suas emoções de outra maneira de acordo com a educação que lhe foi dada.

3) Foi observado que muitos homens e mulheres quebram essas regras e soltam um palavrão do tipo CARALHO em diversos lugares e em variados momentos.

4) Foi observado que dizer PORRA quando se leva uma topada alivia a tensão e o indivíduo não expressará sua raiva em outra pessoa, animal ou coisa.

5) Foi observado que não é interessante numa briga de casal pronunciar tais palavras, pois podem ocorrer reações agressivas de ambas as partes. No caso da mulher é pior, pois esta sendo xingada guardará com rancor a palavra e sempre irá expor em brigas posteriores, envolvendo o cônjugue numa chantagem emocional. O homem não lembrará do palavrão no dia seguinte, pois com sexo esquecem rápido dos momentos ruins.

6) Foi observado recentemente que muitas pessoas não têm vergonha de dizer "porra", mas tem vergonha de pronunciar "buceta". Podemos concluir que até o palavrão masculino é mais aceito como normal do que o palavrão feminino.

7) Foi observado que pessoas mais extrovertidas são as que mais expressam os palavrões, ou seja, podemos compreender que pessoas que falam mais palavrão são as que mais se expressam.

8) Foi observado que pessoas contidas dizem palavrões contidos, do tipo: ai que merda! Palavrão de pouca intensidade incapaz de provocar grandes alterações faciais e mentais.

9) Foi observado que dizer muito palavrão é putaria demais, falta de vocabulário ou constante necessidade de chamar atenção para si.

10) Foi observado que dizer um palavrão mesclado com certas palavras formais pode ser considerado inteligente, poético, escape de tensão ou cult, mas claro se a pessoa que o proclama for um intelectual, caso contrário é escandaloso e bárbaro.

O relato a seguir é verídico. Usaremos nomes victícios para preservar a identidade das pessoas envolvidas:

Estava um grupo de pessoas reunidas celebrando a dádiva do 23° aniversário de dois jovens. Havia muitas pessoas ao redor da mesa conversando sobre vários assuntos. Junto ao grupo havia uma senhora na qual chamaremos aqui de Senhora X, muito animada, falando e atraindo todas as tensões para si, dizendo que gostava muito de pau, que era uma pessoa da natureza rsrs. No meio da festa ela queria contar uma piada mas sentiu muita vergonha de dizer porque a piada continha palavrões a respeito dos sexos. Ela se conteve por vários momentos. De repente a aniversariante (chamaremos aqui de Senhora Z) disse para todos: EU VOU CONTAR UMA PIADA e assim, começou a narrar a piada falando tudo que tinha direito: cacete, buceta, porra, caralho, cu, enfim, disse tudo que estava contido no coração da senhora X, que por "timidez" não proclamou. Esta ficou aliviada ao ouvir tais palavras, pois ela não era a única a possuir tais vocabulários em sua mente.


Podemos concluir com esse breve relato que os indivíduos de certas culturas necessitam de palavrões para expressarem seu íntimo, fazer parte de determinadas tribos ou até mesmo romper com alguns paradigmas impostos pela educação e a ética. Alguns para alimentar o ego, outros para desviar a tensão para a palavra evitando assim agir com agressividade. O que importa é que dizer um palavrão é uma expressão típica da sociedade pós-moderna, na qual homens e mulheres se mesclam numa só identidade: A livre expressão da putaria.

PS: O texto acima foi um texto neutro, apenas relatando observações feitas no diário de campo. Independente de qualquer manifestação, cada um se expressa como melhor convém.