É certo que todas as cidades possuem suas contradições, limites, belezas e diferenças. Contudo, desde que cheguei em São Paulo posso entender o porquê dessa cidade ser notícia constante nos jornais de todo país. Antes de chegar em Sampa, o vôo tinha sido super tranquilo mesmo tendo passado por duas escalas e tantos sobes e desces de avião. Faltava aproximadamente uns 30 minutos para chegar em Guarulhos quando o piloto avisou que o aeroporto tinha sido fechado por causa de uma forte neblina. Dá pra imaginar minha agonia? No ar girando sem poder descer, já comecei a imaginar uma queda fabulosa. Com minhas fortes tendências a tragédia grega fiquei me preparando caso minha morte fosse lenta e dolorida. É isso mesmo que você está pensando: QUE EXAGERO!!! Mas fazer o que? Sou sagitariana e exagerar é tão inato em mim quanto o comer e beber! Eu pensava que raios de neblina forte era essa porque eu nunca tinha visto uma neblina capaz de apagar tudo daquele jeito. Pior que existia mesmo e ainda existe nessa cidade e suas aglomerações.
O avião desceu tão ruim q senti a pancada mais forte. Mas tudo bem, finalmente pude trocar minha tragédia por uma comédia pastelão devido ao estado ridículo que acometeu meu cérebro durante aqueles minutos, quase hora, no ar. Tinha saído de Fortaleza com uns 27 graus e cheguei em São Paulo com neblina, muito vento gelado, garoa e 13 graus de muito frio. Foi duro me adaptar a tanto frio nesses primeiros dias, pois todo meu corpo sofreu com a lentidão fisiológica imposta pelo inverno.
Essa foi a primeira sensação que tive ao chegar em São Paulo nesse ano. Antes eu tinha vindo, mas agora posso me dar ao luxo de observar a cidade e refletir sobre ela.
Aqui nem tudo que vai volta. Essa lei se aplica muito bem no caso de São Paulo. Os caminhos que levam nem sempre trazem e trate muito bem de acertar o caminho porque errar no trânsito aqui custa muito CARO! Tempo, combustível, muita caminhada. Então, andar com mapinha é ultra super necessário. O clima é outra coisa de contraste grotesco. Na mesma semana tem calor, garoa, frio, vento gelado, ar seco, umidade baixa, boa umidade, tempo agradável...Isso quando não ocorre num mesmo dia. A gente acorda e tá um sol lindo, sai com roupa leve e no final da tarde começa a esfriar muito e voltamos com vento gelado no rosto. Claro que no inverno isso se acentua mais. As ruas nem sempre são retas e um quarteirão é quase um círculo beirando o quadrado e às vezes um triângulo. Agora entendo porque tem tantos acidentes. É muito estranho dirigir em tanta ladeira, ruas tortas, retornos distantes e curvas estreitas. É quase uma aventura de Indiana Jones dirigir nessa cidade. Sem contar as residências. Muitas, antigas lembrando o início das cidades e outros imóveis modernos nos remetendo a cidade dos Jetsons.
Não tenho a pretenção de falar sobre tudo que vejo por aqui, mas é incrível viver nessa cidade. É preciso vontade pra caminhar muito em ruas tão desproporcionais, saber lidar com gente de todo lugar, ter boa resistência física pra suportar tanta mudança de clima e umidade em tão pouco tempo. Mas acima de tudo, ter muito bom humor pra não se estressar com tantos imprevistos quase cotidianos dessa cidade, uma mistura de Gotham City e Brasil anos 20. Eu me apaixonei. Aqui não tem como ficar entediada porque tem sempre algo novo acontecendo. A cidade tá gestando sempre novidades, o mundo todo cabe em São Paulo.
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