Dizer ou não um palavrão...eis a questão!
Em minhas mais recentes observações antropológicas a respeito do comportamento "animal humano" pude perceber que dizer um palavrão em público pode gerar certas alterações de humor, gerando um movimento nos músculos faciais provocando o assim chamado: RISO... ou de contentamento ou de reprovação conforme a intensidade do palavrão ou até mesmo a expressão do indivíduo durante o dizer. Entretanto, a questão norteadora dessa observação é: Qual a necessidade do palavrão em nossa sociedade?
Utilizei o método da observação participante para compreender o fenômeno da palavra maldita e em breves tópicos resumirei algumas de minhas verificações em meu diário de campo.
1) Foi observado que se um indivíduo do sexo masculino diz um palavrão no momento de um jogo ou momento de grande tensão esse indivíduo está liberando suas emoções mais rústicas naquele momento. Porém, esse mesmo indivíduo se contém em ocasiões não apropriadas, gerando assim uma retenção de xingamentos despejando em seguida em sua família, mulher, futebol ou partida de algum jogo.
2) Foi observado que se um indivíduo do sexo feminimo diz um palavrão em momentos semelhantes essa indivídua tem a boca suja, é vulgar e acarreta para si as consequências por estar indo contra as regras da moral. Esta deve conter sempre sua ânsia de dizer um palavrão e expressar suas emoções de outra maneira de acordo com a educação que lhe foi dada.
3) Foi observado que muitos homens e mulheres quebram essas regras e soltam um palavrão do tipo CARALHO em diversos lugares e em variados momentos.
4) Foi observado que dizer PORRA quando se leva uma topada alivia a tensão e o indivíduo não expressará sua raiva em outra pessoa, animal ou coisa.
5) Foi observado que não é interessante numa briga de casal pronunciar tais palavras, pois podem ocorrer reações agressivas de ambas as partes. No caso da mulher é pior, pois esta sendo xingada guardará com rancor a palavra e sempre irá expor em brigas posteriores, envolvendo o cônjugue numa chantagem emocional. O homem não lembrará do palavrão no dia seguinte, pois com sexo esquecem rápido dos momentos ruins.
6) Foi observado recentemente que muitas pessoas não têm vergonha de dizer "porra", mas tem vergonha de pronunciar "buceta". Podemos concluir que até o palavrão masculino é mais aceito como normal do que o palavrão feminino.
7) Foi observado que pessoas mais extrovertidas são as que mais expressam os palavrões, ou seja, podemos compreender que pessoas que falam mais palavrão são as que mais se expressam.
8) Foi observado que pessoas contidas dizem palavrões contidos, do tipo: ai que merda! Palavrão de pouca intensidade incapaz de provocar grandes alterações faciais e mentais.
9) Foi observado que dizer muito palavrão é putaria demais, falta de vocabulário ou constante necessidade de chamar atenção para si.
10) Foi observado que dizer um palavrão mesclado com certas palavras formais pode ser considerado inteligente, poético, escape de tensão ou cult, mas claro se a pessoa que o proclama for um intelectual, caso contrário é escandaloso e bárbaro.
O relato a seguir é verídico. Usaremos nomes victícios para preservar a identidade das pessoas envolvidas:
Estava um grupo de pessoas reunidas celebrando a dádiva do 23° aniversário de dois jovens. Havia muitas pessoas ao redor da mesa conversando sobre vários assuntos. Junto ao grupo havia uma senhora na qual chamaremos aqui de Senhora X, muito animada, falando e atraindo todas as tensões para si, dizendo que gostava muito de pau, que era uma pessoa da natureza rsrs. No meio da festa ela queria contar uma piada mas sentiu muita vergonha de dizer porque a piada continha palavrões a respeito dos sexos. Ela se conteve por vários momentos. De repente a aniversariante (chamaremos aqui de Senhora Z) disse para todos: EU VOU CONTAR UMA PIADA e assim, começou a narrar a piada falando tudo que tinha direito: cacete, buceta, porra, caralho, cu, enfim, disse tudo que estava contido no coração da senhora X, que por "timidez" não proclamou. Esta ficou aliviada ao ouvir tais palavras, pois ela não era a única a possuir tais vocabulários em sua mente.
Podemos concluir com esse breve relato que os indivíduos de certas culturas necessitam de palavrões para expressarem seu íntimo, fazer parte de determinadas tribos ou até mesmo romper com alguns paradigmas impostos pela educação e a ética. Alguns para alimentar o ego, outros para desviar a tensão para a palavra evitando assim agir com agressividade. O que importa é que dizer um palavrão é uma expressão típica da sociedade pós-moderna, na qual homens e mulheres se mesclam numa só identidade: A livre expressão da putaria.
PS: O texto acima foi um texto neutro, apenas relatando observações feitas no diário de campo. Independente de qualquer manifestação, cada um se expressa como melhor convém.
3 de ago. de 2008
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Um comentário:
adorei o texto!
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