17 de jun. de 2008

O amor mais incondicional


Hoje foi um dia triste, me separei da minha cachorrinha Dalila. O amor mais incondicional que já tive na vida. As mudanças são necessárias e só os corajosos conseguem abraçá-la mesmo diante de lágrimas e dor. Uma nova etapa da minha vida começou e com muita tristeza não pude levar minha bebê comigo. Vou levar no meu coração aquela carinha travessa, mimada, dengosa e cheia de amor por mim. Ainda me lembro com precisão quando ela chegou na minha casa no final de novembro de 2003, ela estava com 40 dias de nascida.

Trouxeram a coisinha mais fofa do mundo numa caixinha. Ela chegou e olhava para todo mundo com uma cara de abusada, dizendo: Cheguei pra incomodar! Aquela coisinha metida a pastor alemão misturada com uma raça branca que até hoje não sei qual é. Dessa mistura deu origem a Dalila, de cor marfim e rajadas caramelo e preto. Veio com o latido amedrontador do pastor, mas uma doçura sem igual. Comia na minha mão, deixava eu tirar a bolinha da boca dela, sem sequer me machucar com seus dentes afiados. Adorava brincar com meus amigos que ela conhecia desde pequena. Corria pra pegar a bolinha e praticar o velho esporte de jogar a bola pra longe e ela ir buscar. Enchia a paciência dos vizinhos de tanto latido, tinha medo dos fogos e trovões, adorava caçar os bichos que ela via. Coitados dos ratos e lagartos, ela corria atrás de todos. Quando chegava visita em casa tinha que colocá-la no corredor trancada e ela ficava só olhando todo mundo pela janela e fazia uma cara de pena que dava dó, tudo isso pra ser solta e eu não resistia a essa carinha que me enganava, soltava e dava biscoitos...ela sabia tirar de mim o que quisesse.

Adorava tomar banho, mas se demorasse muito ela já ficava ansiosa. Corria pela chuva só pra me encher a paciência, ficava toda molhada até eu deixar ela entrar em casa e com isso ela molhava tudo, era uma danação só. Era muito carinhosa comigo, gostava dos meus amigos e morria de saudade da minha mãe e minha irmã que passavam 15 dias fora de casa, chorava até elas irem falar com ela e fazer um carinho. Subia em mim, me arranhava toda, sujava minha roupa, latia pra eu abrir o portão, latia pra ficar dentro de casa comigo e dormir ao lado dos meus pés. Pegava a bolinha e saia correndo pra eu brincar. Às vezes me perturbava tanto que me estressava, mas tudo compensava quando eu via aquele jeitinho meigo de quem me ama acima de tudo.

Quando eu chegava em casa era aquela loucura e no dia que viajei passando duas semanas fora ela nem falou comigo quando eu voltei, magoada por eu ter ficado tanto tempo fora, mas depois foi aos poucos me perdoando e começava de novo, aquela doidice dela. Não podia deixar o portão destrancado, pois ela sabia abrir e empurrava a porta, janela e entrava. Era tão ciumenta que quase matou a outra cachorrinha que tínhamos, só porque a Colie ficou do meu lado na hora que eu mandei as duas entrarem, a Dalila foi e a Colie ficou, ela se zangou e partiu encima do pescoço da Colinha, foi um horror. Nessa hora ela deixou claro que seu sangue de pastor não admitia outra cachorra em nossa vida. A Colinha ficou doente e acabou morrendo e a Dalila sentiu a falta da amiga [desde que não estivesse perto de mim] e chorava o tempo todo sentindo falta da Colie, mas logo ela reinou sozinha em casa.

Quando decidi viajar esse mês de junho, minha maior agonia era me separar dela e pior, deixar com pessoas estranhas do convívio dela, já que aqui em casa todo mundo mora separado e ninguém podia ficar com ela por causa da moradia. Até que Deus me enviou umas pessoas maravilhosas que gostam de cachorro tanto quanto eu e disseram que ficariam com a Dalila e dar todos os mimos que eu dei. Fui hoje levar, a bichinha tava toda agoniada, mas chegou na casa e já foi verificando tudo, porque ela é absurdamente curiosa. O novo dono dela tentava fazer amizade, mas ela não ligava muito e quando eu fui me despedir dela, a bichinha encheu os olhos de agonia e implorava pra eu ficar e levá-la comigo, meu coração ficou partido, com os olhos cheio de lágrimas. Mas sei que ela vai ficar bem e que ela vai ter todo amor dos novos donos.

Por isso dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. Eu acrescento mais: é o amor mais puro que um ser humano pode experimentar, pois nunca tem cobrança, nunca tem ingratidão, o amor do bichinho é sempre o amor mais incondicional que alguém pode ter.

PS: Esse texto também é em homenagem ao cachorrinho do meu amigo Adriano que partiu deixando as melhores lembranças de quem foi o companheiro inseparável de seu dono.

2 comentários:

Anônimo disse...

te entendendo amiga....
sei q se pudesse ela tb estaria aki ....
Tente ficar bem...

un besito

Unknown disse...

Será uma nova vida para as duas, com novo horizontes se abrindo amor.
As vezes, a distancia fisica é inevitavel, mas pode ter certeza que vocês estaram sempre juntas unidas pelo amor incondicional.

Te amo muito amor.